O setor do agronegócio brasileiro vem ganhando destaque por sua capacidade de gerar riquezas e impulsionar a economia nacional. Ao mesmo tempo, investidores buscam alternativas de renda fixa que ofereçam rentabilidade superior a LCI/LCA e proteção fiscal. Nesse cenário, o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) surge como uma opção atraente, permitindo a alocação de recursos diretamente no campo, com isenção de imposto de renda para pessoas físicas.
Este artigo apresenta um panorama completo sobre o CRA, abordando desde sua definição legal até orientações práticas para quem deseja ingressar nesse mercado. Exploraremos também dados de mercado, volume financeiro em crescimento e as tendências que moldam esse investimento promissor.
O CRA é um título privado de renda fixa, criado pela Lei 11.076/2004 e regulamentado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pelo Banco Central. Esses títulos são emitidos por securitizadoras, lastreados em recebíveis originados de operações do agronegócio, como financiamentos de máquinas, insumos e comercialização de produtos agropecuários.
Ao adquirir um CRA, o investidor está, na prática, antecipando recursos a produtores rurais, cooperativas ou empresas do setor. O retorno prometido pode ser prefixado, atrelado ao CDI ou indexado a índices de inflação, como IPCA ou IGP-M, acrescidos de taxa prefixada.
O processo de emissão de CRA envolve a cessão de recebíveis por parte de produtores ou empresas para uma securitizadora. Esta última reúne esses créditos em um pacote e emite os certificados, captando recursos junto aos investidores via bancos e corretoras. É importante destacar que a securitizadora não assume a dívida diretamente, atuando apenas como intermediária.
Em casos específicos, instituições financeiras podem atuar como distribuidoras, assumindo parte do risco de crédito. A negociação ocorre principalmente na B3, onde o investidor pode adquirir e, se necessário, vender seus títulos no mercado secundário.
Uma das grandes atratividades do CRA é a isenção de Imposto de Renda e IOF sobre os rendimentos para investidores pessoa física. Essa característica foi criada para fomentar o direcionamento de capital privado ao agronegócio brasileiro e viabilizar projetos de maior escala.
Além disso, o CRA costuma oferecer taxas mais competitivas que outros títulos de renda fixa, em razão da ausência de cobertura pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e do perfil específico de risco. Investidores podem escolher diferentes formas de remuneração:
Embora o CRA não conte com a proteção do FGC, ele possui garantias contratuais próprias, que variam conforme a emissão. Essas garantias podem incluir alienação fiduciária de bens, seguro de crédito, fiança ou outros mecanismos que assegurem o retorno ao investidor.
Adicionalmente, o regime fiduciário dos créditos separa os recebíveis do patrimônio da securitizadora, protegendo o investidor em caso de falência da emissora. Ainda assim, é fundamental avaliar os principais riscos antes de investir:
Para compreender melhor as diferenças e semelhanças entre o CRA e a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), confira a comparação a seguir:
O capital captado por meio de CRA financia diversas etapas da cadeia produtiva, desde a compra de sementes até a industrialização e logística. Projetos que adotam práticas agrícolas responsáveis e certificadas podem emitir os chamados “CRA Verde”, proporcionando não apenas retorno financeiro, mas também impacto socioambiental positivo.
Investimentos em CRA Verde destinam recursos a iniciativas de conservação de água, reflorestamento ou redução de emissões de carbono, seguindo diretrizes ESG. Isso atrai um público que valoriza tanto a rentabilidade quanto a responsabilidade ambiental.
Nos últimos anos, o volume financeiro movimentado por CRAs cresceu expressivamente. Entre 2020 e 2022, as emissões anuais superaram R$ 10 bilhões, refletindo o interesse crescente dos investidores. Os prazos variam de três a dez anos, com fluxo de pagamento mensal, semestral ou anual.
Para o futuro, destacam-se duas tendências: a emissão de CRAs em dólar, voltada para atrair investidores internacionais, e a expansão das linhas de crédito ESG. Essas iniciativas podem elevar ainda mais a liquidez e a visibilidade desse mercado.
Para aplicar em CRAs, o investidor pessoa física deve seguir alguns passos básicos. Primeiro, é necessário ter conta em uma corretora ou banco habilitado. Em seguida, pesquisar as ofertas disponíveis, considerando taxa de remuneração, prazo e garantias.
Após a compra, os CRAs ficam custodiados e podem ser negociados ou mantidos até o vencimento, conforme estratégia de cada investidor.
O CRA representa uma excelente alternativa para diversificação de portfólio, unindo rentabilidade atrativa e isenção tributária em um ativo vinculado ao crescimento do agronegócio brasileiro. Apesar dos riscos inerentes, a análise cuidadosa do lastro e das garantias pode minimizar as incertezas.
Ao direcionar recursos para o setor agropecuário, o investidor não apenas busca retorno financeiro, mas também colabora com o desenvolvimento sustentável do país. Avalie as opções disponíveis e considere o CRA como parte de uma estratégia equilibrada de investimentos.
Referências